quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

"O bairro acabou", diz vítima de tragédia em Teresópolis (RJ)



No bairro do Caleme, em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, um dos mais castigados pelas fortes chuvas da madrugada desta quarta-feira (12), vias tomadas pela lama, árvores inteiras caídas, postes tombados, paralelepípedos deslocados e casas invadidas pela sujeira. “O bairro acabou”, afirma um dos moradores, Alexandre Vigiani, 34.

Dono de um supermercado na entrada do bairro, Alexandre conta que, desde as 6h, ele e mais 20 homens trabalham para remover a lama do estabelecimento. “Ainda nem deu para contar o prejuízo, mas isso é material. O pior são as vidas. Ainda tem muita gente desaparecida.”
A mãe de Vanda Santos de Oliveira, 20, ainda não foi encontrada. “A gente fica sem reação. Perdi minha família. Tenho agora só meu filho, meu marido e minha cunhada”, diz a dona-de-casa, que é informada, durante a entrevista, de que o corpo do irmão havia sido localizado.
Na noite anterior, ela esteve na casa da mãe, que acabou sendo soterrada por um dos deslizamentos. “Minha mãe queria que eu ficasse, mas deu 22h30, eu saí. Depois falei para minha mãe também sair, mas ela falou que ia apenas dormir um pouco”, lembra com o choro embargado.
Na região conhecida como Caeté, onde estava a casa da mãe de Vanda, apenas uma, de mais de 20 residências, restou em pé. O riacho que atravessava o bairro encheu, e agora o corta em dois. O acesso é difícil, inclusive a autoridades e equipes de resgate. A partir do rio, o percurso só pode ser feito a pé, ainda assim, em meio a muita lama.
Um casal de moradores, Gilberto e Sueli conseguiu se salvar, mas o filho e a nora não resistiram. A doméstica Leia Mello, 55, também acredita ter perdido uma amiga. “O sentimento é de muita tristeza. Os filhos dela foram encontrados mortos”, diz.
O tecelão Oscar Carvalho, 40, ainda está assustado com o que viu. “Foi um cenário de guerra. Foram muitos carros sendo levados pela correnteza, pareciam de brinquedo”, relatou. Ele ainda conta que a população temeu ainda que uma barragem próxima ao bairro rompesse, o que não ocorreu.
De acordo com diversos moradores, autoridades agora pedem para que eles deixem as casas devido à situação de risco. “Não tem para onde ir. Como vou sair a pé cheia de sacola por aí?”, questiona Ivanete Rabelo, 50. No trajeto que dá acesso ao Caleme, no entanto, outros moradores já carregaram os poucos pertences que lhes restaram para longe do local.(Uol Notícias)

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